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O dia nasceu cinza. O ar estava frio. “É hoje”, pensou ele: “Vou matá-lo.”

Não havia motivo. Não havia mal que justificasse tal ato. Não havia conflito de interesses ou o que fosse que desse, a ele, razões para tirar a vida do outro. Não se importaria, porém. Mataria, e seria nesse dia. E ponto.

Preparou tudo que precisaria. Já havia imaginado a cena há dias, meses... talvez tivesse nascido para realizar aquele ato! E que ato sublime seria! Não teria requintes de crueldade, pois não queria chamar atenção desnecessária. Também não simularia um acidente natural, uma ocorrência triste no destino, pois queria que soubessem que o outro fora morto. Seria um crime, idealizado por ele, vivido ele... mas apenas um crime comum e rotineiro como tantos outros que ocorrem todos os dias.

Sabia que aquele era o dia certo. Não seria tomado pela melancolia da dúvida, vinda da alegria do sol brilhando do lado de fora. Era o dia perfeito! E ele sabia disso. Era o dia da morte.

A morte! Dera a vida, agora a tiraria. Assim, aproximava-se de deus! Era o que ele queria: ser deus! E por isso, naquele dia, mataria aquele homem... que nada havia feito além de existir... uma existência que ele criara e que fora necessária, mas que agora valeria mais por ser encerrada.

Ele respirou fundo. Senta-se triste por isso, mas estava preparado. Era necessário. E, naquele dia cinza, de ar frio, um ser voltaria a ser apenas a lembrança de um ser. (Algum momento em 2008 – publicado em 18072013)

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