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| O metrô passou. Centenas de pessoas sairam correndo, na intenção de pegar aquele trem. Mas ele não o fez. Pelo contrário: encostou no pilar da estação e ali ficou. Pudesse fumar dentro da estação, ele fumaria. Não podendo, ele apenas esperou. O metrô foi embora. Algumas pessoas se aproximaram, para esperar o próximo trem que viria. Dessas, um número reduzido notava sua presença, e um ainda menor olhava para ele e sorria. “O que pensariam essas pessoas?” ele se pegou perguntando. Mas, ao invés de fazer a pergunta, ele apenas sorriu e continuou esperando. Outro trem não demorou a passar. E novamente as pessoas correndo apareceram, correndo, e ele novamente se restringiu a esperar. E esperando ficou. Como as pessoas iam e vinham, ninguém notava que ele ficava. Ou melhor: notava que ele ficava, mas não que havia transformado isso em, por assim dizer, um pequeno hábito. Um hábito. Muito estranho, diga-se de passagem. E que logo começou a chamar a atenção dos que, ao contrário das outras pessoas, ficavam ali, esperando para ver se algo aconteceria de errado. E logo o faxineiro, o segurança, o funcionário de informações, o vendedor de tickets, todos eles estavam começando a coçar a cabeça e se perguntar se era ou não uma boa idéia se preocupar com aquela pessoa, que a tanto tempo estava lá, esperando. E, então, como se ele tivesse se cansado de esperar pelo nada, ou tenha encontrado o que quer que aguardava enquanto estava esperando, ele foi embora. Andando devagar, como se não tivesse pressa. Enquanto ele ia, as pessoas paravam perplexas e ficavam se perguntando porque ele teria ido até ali, ficado tanto tempo e partido. Mas... como elas tinham muito que fazer, elas logo voltariam a suas vidas e esqueceriam de todo o resto... | ||||||
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EUqueDISSE 2014 |
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