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Hoje, vi duas provas de que o livro de verdade – aquele com papel, capa, que no futuro vai ter cheiro de mofo e traça e a gente vai continuar amando mesmo assim – certamente vai estrebuchar muito antes de morrer.

A primeira, um texto de Oliver Sacks, defendendo o livro. Oliver Sacks, caso alguém não saiba, é o CARA. Está bem, essa é uma definição que acaba sendo muito ampla (embora seja adequada, aposto que muitos concordarão), então vou resumir a minha definição sobre ele como um cientista brilhante e um escritor incrível. Para mim, está mais do que suficiente essa definição, mas se você precisa de mais alguma coisa, visite o site dele. E o que ele escreveu? Bom, o texto em português chama-se “Elogio em defesa do “velho” livro”. Estou procurando a referência original, mas no momento vocês podem ler a tradução . O texto faz, basicamente, uma defesa pelo “velho livro”, aquele de papel, com folhas, letras, notas escritas a mão e o que mais for. E o argumento vai por uma direção interessante: a da dificuldade para ler tida por alguém que tenha problemas de visão. Hoje, como bem mostra o texto, as editoras estão evitando publicar textos com letras grandes, que possibilitem alguém com baixa visão ler sem precisar usar artifícios como lupas ou lentes de aumento.

A segunda prova veio de uma amiga americana. Ela conseguiu alguns livros autografados e perguntou, via Twitter, se alguém teria interesse neles. Não vou entrar no mérito de se eu aceitei a oferta ou não (acho que a resposta é óbvia!). Mas... gente: . Um livro. AUTOGRAFADO Desculpa, mas ninguém consegue autógrafo em um livro eletrônico.

Então vocês me dizem: estou atirando com metralhadora no meu pé. Estou dizendo que livros de papel nunca superarão os eletrônicos! Mas... opa, vamos pôr os pingos nos I’s....

Todo mundo sabe – eu digo pra quem quiser ouvir ! – que eu sou bookaholic de carteirinha. Gosto de livros, gosto de comprar livros, gosto de ler livros, de escrever livros, de ter livros, de viver entre livros. Se eu pudesse dar uma guinada efetiva na minha vida profissional seria para trabalhar com livros (adoraria ter um livraria ou ser escritora, e estou aceitando patrocínio para quem queira me ajudar ;) ). Se eu disser que não gosto de livros eletrônicos, estarei mentindo – eles são livros! Se eu disser que prefiro os livros eletrônicos aos de papel, estarei mentindo também – eles não têm cheiro de livro!

A verdade é que os dois tipos de livro são importante, tendo suas vantagens e desvantagens. As vantagens do livro impresso são óbvias: o que é impresso é eterno, desde que bem cuidado (e há Bíblias impressas por Gutenberg espalhadas pelo mundo para não me deixar mentir). Além disso, são super fáceis de se manusear. E podemos escrever no cantinho os nossos comentários – ou receber os autógrafos de nossos autores favoritos! Ah, e claro: ladrão dificilmente vai querer levar seu livro, achando que dá pra revender. Por outro lado, juntam pó, sujeira, ocupam espaço... num mundo como o atual, onde todo metro-quadrado é importante e todo segundo conta, essas são desvantagens que não podemos ignorar em nossas vidas. Já os livros eletrônicos dão oportunidades que outros não teriam. Uma pessoa como eu pode, atualmente, publicar um livro eletrônico e tentar ganhar uns trocados com ele. Uma pessoa que pretende fazer uma viagem longa poderá colocar centenas de livros em seu leitor de livros e viajar com eles por aí, sem precisar carregar quilos e mais quilos de bagagem – e assim garantir suprimento para todo o período fora de casa. Além disso, ele permite certas regalias, como ampliar a letra para se ler mais facilmente. Ah, e dificultam que pessoas como eu, que adoram ficar lendo o final das histórias antes de chegar lá efetivamente, caiam nessa tentação. Mas, gente: eles poderão não ser tão simples de usar como se faz parecer! Meu leitor de livro eletrônico, que não é nenhum de marca “famosa” mas quebra o meu galho e é um parceiro e tanto, não seria facilmente usado por alguém que tenha dificuldade de visão simplesmente porque o escrito dos botões não se amplia! Como a pessoa saberá onde ampliar o texto se não conseguir enxergar? É... não sei.

Tenho outras birras com os livros eletrônicos, verdade seja dita. Acho que as editoras precisam parar de cobrar tanto por eles – no Brasil a maior parte deles custa mais do que suas versões impressas! Além disso, qual a graça de comprar um livro e não poder usar pra sempre? Muitos dos contratos de venda de livro eletrônico vêm com limitação de uso que inclui número de aparelhos em que você pode ler. Desculpa: isso é muito chato. E por essas e outras acho que o livro de verdade terá vida longa. Ou morte longa, já que tantos insistem que ele vai acabar. Se vai acabar, vai estrebuchar muito até morrer de vez. E eu estarei ao lado dele, torcendo para que sobreviva – podem ter certeza. (26022013)

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