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Poucas vezes na minha vida me senti realmente compelida a expressar minha opinião a respeito de algo. Essa, é uma dessas poucas vezes.

Quem observa o que está acontecendo no Brasil, sabe: os nervos estão a flor da pele. Manifestações ocorrem no país inteiro, motivadas pelo aumento das tarifas de ônibus das diferentes cidades e... WAIT!

Você não está mesmo acreditando nisso, está? Ou que é só isso, está?

(Se estiver, desculpe, esse texto não é para você. Pode dar licença, por favor? Obrigada. A saída é por aí, pela porta! Até mais!)

A verdade é o que está acontecendo NESSE momento no país não é uma briga por dinheiro. É uma briga por humanização. Pra que sejamos tratados como seres humanos pelos nossos governantes só pra variar um pouco.

Corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro, impostos que só fazem crescer, educação, saúde e segurança que são um lixo! Os governos – e aqui não vou colocar a culpa em ninguém em especial, em partido algum, pois melhores ou piores, todos têm culpa no cartório – trabalham apenas para seu enriquecimento. E o que vemos na calada da noite? Ou das manifestações, enquanto imprensa e população está prestando atenção em outra coisa? Cura gay e ato médico sendo aprovados NO MESMO DIA! Como se homossexualidade fosse doença e o único detentor do conhecimento da saúde dos seres humanos todos fosse o médico. Para....

Mas não para: os grandes empresários fazem gato e sapato conosco e nada. Adulteração de leite vira notícia por só alguns dias. O preço da cesta básica sobe... e? Nada. As vendas de carro caem e se faz pressão para se reduza o IPI – mesmo que o ideal fosse que o governo usasse esse dinheiro para melhorar o transporte público ou o transporte em geral, assim as pessoas conseguiram se deslocar por um preço mais camarada e conseguiram juntar dinheiro para trocar seus carros! E a imprensa acha que somos otários que engolem tudo o que eles dizem.

E talvez sejamos, mesmo. De manhã, no dia 13, muitos dos veículos de informação intitulavam como vândalos os manifestantes que iam as ruas pedir a redução das tarifas de ônibus. A noite, depois de diversos membros dessa mesma imprensa sofrerem nas mãos de uma ação totalmente desastrada e desproporcional da polícia, eles passaram a achar que... não, as manifestações são pacíficas, os PM’s que estavam errados.

Daí você para para olhar tudo. Havia destruição de coisas nas manifestações até então? Sim. Era essa a intenção das manifestações? NÃO! Mas o que se falava na mídia? Das destruições. E só.

Gente, gente... onde estamos indo parar! Nem a guerra justifica certos tipos de ações, ou pelo menos não deveria. Conversei com alguns jovens sobre isso hoje. Eles disseram para mim que a única forma de se defender certas ideias é pela violência. E justificaram usando a Revolução Francesa, que cortou a cabeça de diversas pessoas por aí para garantir a nossa liberdade. Está bem. Mas achei que já tínhamos passado um pouco da parte do “cortem-se as cabeças”, e que havíamos aprendido que o diálogo é uma coisa bacana e que nos faz crescer. Daqui a pouco as igrejas irão reabrir a inquisição. Serei, tenho certeza, uma das bruxas queimadas na fogueira.

Sabe, é difícil não se manifestar. Não sou de ir para as ruas, participar de passeatas, até porque não gosto de multidões e me tornaria um problema no meio de uma – eu seria a primeira a desmaiar, passar mal e representaria outros tipos de problema lá. Por outro lado acho que o texto no site poderá mostrar um pouco do meu ponto de vista. O que não dá para fazer é dormir tranquilamente, achando que nada está acontecendo, quando tantas coisas estão. E há muito tempo. E temos que falar, temos que pedir para que sejamos tratados como humanos por todos de uma vez por todas.

Mas todos? A ideia não era criticar apenas os ricos e os políticos e outras autoridades e só? Gente. Todos são todos. Temos que todos nos respeitamos para variar um pouco. Quando você fura o sinal vermelho e impede que atravesse a rua o pedestre que terá apenas 30 segundos de sinal verde para si, você não o está tratando como humano. Quando você faz um trote na casa de alguém, ou picha o muro ou apenas joga água em quem passa na rua, você também não a está tratando como humana. Quando você finge dormir ou não ver a pessoa que tem o direito de sentar no lugar reservado simplesmente porque chegou lá antes, você também não está tratando o outro como humano. E por aí vai. Os exemplos são muitos, mas já estou me prolongando demais, não vou falar de todos. Até porque, nem daria.

Mas vou falar que não podemos mais nos omitir. Temos, sim, que exigir que o cara que furou o sinal vermelho seja punido para parar de fazer isso, pedir que a pessoa dê o lugar para quem precisa ou dar uma bronca em quem fizer uma brincadeira sem graça e que pode prejudicar alguém. E por aí vai. E vai longe. Até os prédios de prefeituras, governos estaduais, federais e o que mais for. Também deles devemos exigir respeito. E, por favor, não me venham com discurso de “não vai adiantar, eles não vão ouvir” ou “Mas vai mudar o quê, se político é tudo ladrão e só pensa em si”. Para começar: se não falarmos, não seremos ouvidos nunca. E já há provas de que todo mundo falando junto leva, sim, a resultados. E, para terminar: se você acha que todo político é ladrão, se torne você um político! Sim! Mostre que é possível ser honesto daquele lado do poder, e dê o exemplo! Confio em você.

E confio mesmo. Tenho esperanças que as manifestações que estão ocorrendo pelo Brasil tenham bons frutos. E ensinem aos nossos políticos que queremos, sim, brigar por nosso país. E para que sejamos tratados como gente.

Até porque, quando formos tratados como gente, com condições adequadas de tudo – saúde, segurança, educação, trabalho, etc., etc., etc. – teremos condições de ir e vir. E 20 centavos, espero eu, não será um valor que represente um problema para nossos bolsos. (19062013)

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