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Escrever não é para qualquer um. E não digo isso porque acho que nem todos seriam capazes de escrever – digo porque muitos garantem que não são, e eu odeio estragar a auto-imagem dos outros. Se querem achar que não sabem escrever, achem. Não querem? Escrevam.

Isso me lembra uma professora de redação que eu tive no Ensino Médio. Ela tinha um problema, na minha opinião, enorme para um professor de redação: não gostava de textos que não fossem do estilo dela. Se você escrevesse um romance e, no final, o mocinho não casasse com a mocinha, ela não gostava. Se escrevesse qualquer história cujo final não fosse feliz, ela não gostava. Se escrevesse uma dissertação dissertando sobre um ponto de vista que não fosse o dela... ela também não gostava.

Todos temos opinião, é claro. E, como eu digo: eu posso não concordar com a sua, mas podemos continuar amiguinhos. Ou, plagiando o meu amigo Voltare para falar de forma mais bonita: posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dize-las. O que quer dizer que: eu tinha o direito de matar meu personagem, de separar o meu casal ou de defender o que ela era contra simplesmente porque era minha opinião, não a dela. Ela poderia não concordar com o que estava escrito, e poderia até me criticar em minha redação, mas não tirar nota porque o texto que eu tinha escrito não ia com o gosto dela. Afinal, nem sempre dá pra terminar bem uma história, ou nunca teríamos lição de moral no final delas. E mais importante do que as idéias que formam um texto é a sua estrutura – e é isso que um professor deve avaliar.

Claro: se você perguntasse para essa professora porque ela estava tirando pontos de redações que não falavam do que ela queria, ela diria que não estava fazendo isso. Não a condeno: ela provavelmente não sabia que estava. Como 1/4 psicóloga, sei que há muitas coisas que fazemos sem termos conta disso. Por exemplo, sermos mais críticos quando o assunto não nos agrada. Era o que ela fazia.

E assim é com tudo. Se é algo que não gostamos, encontramos um milhão de defeitos, mas se é algo que adoramos, tudo é lindo e maravilhoso. Veja como os pais tratam os filhos, por exemplo. Ou como nós tratamos a obra de nossos ídolos. Um dia, eu estava conversando com minha irmã sobre bobagens, uma dessas conversas de almoço. E ela me contando, empolgadíssima, sobre uma divertidíssima de Harry Potter. E eu pensado comigo: se fosse eu escrevendo a mesmíssima cena, ninguém acharia a menor graça.

A verdade é essa: escrever até pode ser para qualquer um. Mas poucos serão os que se arriscarão. E em menor quantidade ainda os que conseguirão alguma coisa com isso. Nesse momento, estou do lado dos que tentam, mas não conseguem. Um dia estarei do outro lado, espero eu. Ou não. Quem sabe? (07112011)

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