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| Ninguém vai contestar que, virtualmente falando, a semana passada foi bem movimentada. O motivo era bem simples: 2 projetos de lei que prometiam ser a solução mágica para a pirataria online. Abreviados como SOPA e PIPA (algo que muitos amigos não deixaram de ironizar, porque... né?), esses projetos prometiam uma punição mais severa para quem fizesse pirataria ou desse suporte, ainda que indireto, a ela. Até aí, tudo bem.... se você não entrar em detalhes sobre o que seria esse suporte indireto. Vejamos um exemplo claro para ilustrar. Abra seu navegador de internet num site de busca. Pode ser qualquer site de busca, escolha seu favorito. Agora digite: “T4ransformar seu win-7 em original”. Encontrou resultados que não os de lojas vendendo o sistema operacional? Posso apostar que sim. E, com isso, seu site de buscas favorito acaba de se tornar cúmplice de pirataria e, de acordo com a nova legislação, pode ser retirado do ar por isso. Da mesma forma, outros tantos sites poderão ser punidos. Na opinião dos que apoiam o projeto, é obrigação deles dar um jeito de não divulgar sites que contenham produtos ilegais ou barrar usuários que o façam, ou que usem seus serviços para armazenar tais conteúdos, ou... a bola cresce. Os donos dos sites garantem que isso não é uma tarefa tão simples (e acho honestamente que não é), e que essas leis são formas de censura. E, para se posicionar contra, diferentes sites (incluindo alguns brasileiros) tiraram seus conteúdos do ar no dia 18. Foi interessante notar o quanto as pessoas reclamavam – particularmente do fato da Wikipedia, a “enciclopédia virtual”, desativar seus conteúdos. A campanha fez efeito. Pero no tanto: o mundo, que acordou sob protestos contra SOPA e PIPA, dormiu com protestando contra sites de compartilhamento de arquivos. Por coincidência (ou não), uma mega investigação contra o pricípal desses sites e seus donos foi encerrada no mesmíssimo dia, tirando o mesmo do ar e prendendo seus responsáveis. A desculpa: o site era um depósito virtual de pirataria. Não quero entrar na questão de se é certo ou não fechar esse tipo de site. Não quero que ninguém ache que estou apoiando a pirataria, porque acho que todos temos o direito de ter controle sobre o que fazemos – e se eu não me importo que você leia o que escrevo de graça, há quem se importe e não vou criticá-los por isso. O que me toca, porém, é a questão da exclusão cultural. Que essa exclusão existe é fato. Livros são caros, cinemas são caros, show, teatros, DVDs, CDs... tudo é caro! Caro e, muitas vezes, de difícil acesso, particularmente em países subdesenvolvidos como o Brasil. Suponha que você quer um livro que não vende no Brasil. Para importá-lo, semanas. Se quiser tentar comprar uma cópia eletrônica, muitos sites não disponibilizam. Daí vem a pergunta: o que fazer? Se você puder esperar semanas, ótimo. Se não puder... a solução sugerida é se conformar. Outro exemplo: você foi ao exterior em viagem e descobriu um seriado maravilhoso. Ficou tão fã que comprou os box com os dvds da série. Chegou em casa e não conseguiu assistir aos DVDs porque seu aparelho não os lia adequadamente: a codificação do DVD vendido no exterior é diferente das brasileiras. Você fez tudo direitinho, mas não pode assitir da mesma forma. Daí descobre um lugar que vende os episódios, é só baixar... e eles, além de custarem tanto quanto seu DVD (sem a mídia), não são enviados para o Brasil. E, o pior: existe, no site da emissora que transmite a série, um link que te permitiria assistir lá de graça, novamente de maneira legal. E novamente o aviso de que, se você é de fora do país de origem do seriado, você não pode assisti-lo. E, adivinha? Novamente a única solução é se conformar. Podemos nos conformar em sermos impedidos de acessar a cultura? Poder, até sim. Conseguimos? A resposta é não. Conheço diversas pessoas que só baixam arquivo ilegal na internet pelo simples motivo de não saberem como conseguir acessar o material de outra forma. Elas não irão matar ninguém por isso, não irão ganhar dinheiro e, quando tiverem a oportunidade – se um dia tiverem – irão conseguir esse material legalmente. Honestamente? Todos sabem – isso não é segredo – que minha posição é de que cultura deve ser livre. É obrigação do governo tentar garantir o acesso da população a esse material, e não o contrário. Quem o produz deve receber, sim, pelo que produz. Não acho que um produtor que gastou milhões fazendo um filme deve morrer no prejuízo. Mas porque ele não pode ser sustentado pelo governo? O mesmo governo que gasta milhões construindo campos de futebol? Está bem: o governo não deve gastar dinheiro com coisas que não são tão importantes. Com problemas como segurança, saúde, etc., querer investir para que tenhamos acesso livre e grátis a certas coisas é absurdo. E quanto a ter direito ao acesso? Incentivar acordos que facilitem a importação de livros, ou que permitam que possamos comprar produtos virtuais (como livros e filmes eletrônicos) que são produzidos em outros países? Certamente é uma questão complicada. Muitos direitos envolvidos, muito dinheiro envolvido... e cuja solução está longe de ser encontrada. Continuarão existindo pessoas ganhando dinheiro vendendo o produto dos outros e sobre as quais não têm direito nenhum. A pessoa de posses, que agora puxa arquivos, mas que poderia muito bem importar os produtos que gostaria, essas também conseguirão resolver seus problemas. Se prejudicarão apenas os que não têm como comprar algo de fora e não vão mais poder puxar o arquivo via internet. E eis que estaremos vivendo num ambiente de exclusão cultural. (25012012) PS: em tempo: eu não troco a tela do cinema pelo meu computador. E, como eu, boa parte das pessoas. Haja visto o record de bilheteria que foi o filme “Tropa de Elite”. Se o fato de ele ter vazado na internet o prejudicou, eu gostaria de saber como. Quantas pessoas assistiram o filme em suas casas, tinham suas cópias piratas E foram ao cinema mais de uma vez para ver o filme na telona?
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