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Bem vindo, turista acidentado, ao nosso novo capítulo de nosso manual.

No último capítulo, pensamos sobre como escolher nosso futuro destino. Hoje, falaremos sobre o que fazer com essa informação, afinal... bom, afinal não basta escolher para onde ir, tem que chegar lá, e essa parte é a que dá mais trabalho. Ou, melhor dizendo: é a que muitas vezes dá mais trabalho.

São muitas as variáveis: que meio de transporte usar, onde ficar, que tipo de providências tomar antes de ir. Lembre-se de algo importante: faz parte de ser turista o viajar, então tem que se garantir que se conseguirá sair de um determinado lugar e chegar a outro. E faz parte de ser turista acidentado que essa viagem não seja nem um pouco confortável e tranqüila, afinal... o acidentado é para essas coisas.

Jack é especialista nisso. Se é possível chegar ao local de ônibus e de avião, por exemplo, ele vai de ônibus – de preferência o mais barato (fuleiro) que ele encontrar. Paga pouco na passagem e vai deixando partes do corpo para trás: o estomago fica no banheiro de tanto vomitar porque o motorista corre durante a viagem e faz curvas como se estivesse jogando vídeo-game, e não dirigindo um ônibus; a coluna fica no banco mequetrefe e duro e que parece mais mequetrefe e duro a cada buraco que existe no caminho; o pulmão fica no corredor, de tanto respirar um misto do pó que vem da estrada enquanto o motorista corre e o mofo que existe dentro do ônibus e que ninguém limpa. E a bagagem, parte integrante do corpo de um viajante, fica em algum lugar incerto e não sabido, porque se o motorista tivesse notado que a porta do maleiro abriu no caminho ela não teria sido perdida.

E a situação não é muito diferente no caso de Jack pegar um avião. Sabe aquele cara que tem medo de altura, que odeia lugares fechados e sem boa ventilação, que passa mal a qualquer balancinho e acha que o avião vai cair e todos vão morrer no primeiro sinal de turbulência? Não, Jack não é essa pessoa. Mas certamente essa pessoa vai se sentar ao lado do nosso turista acidentado ícone. Ela ou aquele gordinho simpático, que se sentará na janela e passará a viagem inteira conversando ou pedindo para ir ao banheiro. E, claro: quando chegar ao destino final, as malas terão extraviado.

Mas nem tudo são aviões ou ônibus em uma viagem. Também há navios – e, nesse caso, aguarde grandes tempestades no caminho de um bom turista acidentado – carros – e congestionamentos, pneus furados, acidentes – motos – e chuvas, chuvas e mais chuvas. Há intempéries para cada tipo de meio de transporte no mundo. Se Jack pegar carona na caçamba de um caminhão, advinha quem será parado na blitz policial? O caminhoneiro! Se existisse algo como um teletransporte que fizesse seu corpo em partículas e depois voltasse seu corpo para o estado normal, adivinha quem seria desfeito em milhares de pedacinhos e consertado de forma diferente? Adivinhou certo quem disse Jack.

Obviamente temos que levar um ponto em consideração: Jack é nosso ícone e tem talento natural para turista acidentado. Se tudo de ruim acontece com ele, é de forma natural, e isso não vai acontecer com você, que não tem esse dom inato. O que não significa que você não possa tentar dar uma forcinha para o destino: compre a passagem mais barata no ônibus mais fulero que encontrar, procure localizar o gordinho ou o apavorado do avião e proponha para a pessoa que está do lado dele para trocar de lugar porque você tem uma superstição de só viajar naquela poltrona, faça uma denúncia anônima quando estiver na carroceria do caminhão, planeje suas viagens para os dias mais movimentados ou com pior previsão de tempo possíveis. Claro: as chances de tudo isso dar certo e você conseguir o a viagem dos pesadelos de muitos – menos do turista acidentado – são grandes, mas não 100%. Mas daí contaremos com a sorte, também.

Na próxima quinzena, continuaremos a falar sobre o que fazer antes de viajar. (13092011)

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